segunda-feira, 5 de abril de 2010

Reitor da UFRB esclarece equívocos veiculadas na revista Veja

"A UFRB esclarece alguns equívocos cometidos na reportagem “Pecados Pouco Originais”, publicada na edição 2.159 da Revista Veja (primeira semana de abril de 2010):

1) É insólito e inédito o princípio defendido pela Revista Veja de que a demanda de uma universidade é aquela estabelecida pelo município de sua sede. A Bahia tem a segunda pior proporção nacional de matrículas em universidades federais para cada mil habitantes e, por isso, precisa ter o número de universidades públicas ampliado em seu território, inclusive por respeito ao princípio federativo;

2) a UFRB é multicampi e possui centros de ensino em 4 cidades do Recôncavo, (Amargosa, Cachoeira, Cruz das Almas e Santo Antonio de Jesus, além do anexo do CAHL em São Félix), não se restringindo ao município de Cruz das Almas, como afirma a matéria;

3) o projeto de implantar uma instituição pública de ensino superior no Recôncavo da Bahia tem origem no Segundo Império, nos meados do século XIX. Trata-se de uma das primeiras regiões urbanizadas das Américas e, ao contrário do que afirma a reportagem, está entre as regiões mais densamente povoadas do interior do Brasil;

4) a UFRB foi avaliada em 2007, apenas em um curso de graduação, herdado da UFBA. Após avaliações de outras variáveis o Índice Geral de Cursos (IGC) da UFRB foi corrigido para 3 (três), em uma escala que vai de 0 a 5;

5) a foto da sala de aula exibida na reportagem foi tirada de um dos cursos noturnos do campus de Cruz das Almas. Os cursos noturnos passaram a ser oferecidos mais recentemente na UFRB. A imagem publicada não corresponde à dinâmica da realidade da maioria dos cursos da nossa instituição. No que diz respeito aos cursos diurnos, a elevada procura dos mesmos determina inclusive a previsão da construção de novos prédios, fundamental para evitar um colapso na infra-estrutura de apoio às atividades acadêmicas da UFRB.

Recebemos o jornalista da revista Veja, João Figueiredo, no gabinete da Reitoria da UFRB, no dia 31 de março. Na UFRB, priorizamos o atendimento a todos os profissionais de imprensa que nos procuram. Entretanto, não podemos deixar de registrar a nossa surpresa com a forma desrespeitosa e preconceituosa com que esta Universidade foi tratada e com a manipulação grosseira verificada na referida matéria, escrita pela jornalista Roberta de Abreu Lima.

Em sua primeira indagação, felizmente não publicada, o repórter da Veja se referiu à UFRB como um “elefante branco no meio do sertão”. Além de grosseira, a pergunta demonstra um total desconhecimento da realidade brasileira e da geografia de nosso País. Como sabemos, a UFRB está situada no Recôncavo, região, por princípio, litorânea. Noutro momento o jornalista perguntou qual o sentido de uma universidade pública naquele deserto. Explicamos que, segundo historiadores e geógrafos, estávamos numa região de vida urbana notável desde a época colonial. Todas as perguntas foram respondidas, inclusive repetidamente, dada a prática do jornalista de repetir a mesma pergunta duas ou três vezes. A entrevista durou cerca de 90 minutos. As respostas apresentadas sobre os temas abordados na reportagem não foram em quaisquer dimensões incluídas na matéria publicada. Portanto, é difícil entender os motivos de tantos equívocos.

Este é um episódio lamentável. A revista Veja é um poderoso veículo de comunicação e exatamente por isso não tem o direito de desconhecer a história do Recôncavo.

Atenciosamente,

Paulo Gabriel Soledade Nacif
Reitor

Fonte: http://www.ufrb.edu.br/

A ELITE ATACA MAIS UMA VEZ...

A elite brasileira não desiste de dar um golpe na vontade popular e insiste em destruir o governo Lula. Todos os dias somos bombardeados com notícias caluniosas ou distorcidos, que transformam falsos boatos em verdades absolutas e entortam a verdade dos fatos para atingir um único objetivo: desqulificar as importantes ações do governo Lula, impedir a continuidade desse projeto com a eleição de Dilma e eleger o 'vampiro' Jose Serra presidente da República, trazendo de volta o projeto neoliberal tucano, já rejeitado pela população brasileira por duas vezes.



O alvo da vez escolhido pela artilharia tucano-burguesa foi a Universidade Pública Federal. E o veículo da difamação não poderia ser outro senão a revista Veja, publicação de grande alcance nacional que se constitui na porta de saída dos maiores ataques à esquerda brasileira.
Em reportagem publicada pela revista na edição dessa semana (01/04), as Universidades públicas são mostradas como ineficientes, esvaziadas e 'desnecessárias'. Tudo para conduzir o desavisado leitor a concordar com a premissa básica do PIG: "prá que universidade pública gratuita? Vamos privatiza-las todas!!"


Desconsiderado a importância estratégica dos investimentos feitos pelo governo federal no ensino superior, que inaugurou 13 universidades federais em oito anos, a revista ainda ataca a implantação dos cursos de Licenciatura (por que será que eles não querem formar professores, hem???), responsabilizando a escolha desses cursos pelo baixo número de matrículas:

"...O tipo de curso oferecido por essas instituições é outro fator que contribui para o desperdício dos impostos e a imensa ociosidade..."

A matéria, assinada pela jornalista Roberta de Abreu Lima, explicita qual o modelo de universidade que a parcela endinheirada do país deseja:
"trazer ao debate outra mudança no ensino superior brasileiro, esta radical: ...cobrar mensalidade em universidades públicas daqueles que podem pagar”,
e deixa claro que a divergência não é de método ou modelo, mas de concepção: o PIG não aceita a ampliação do ensino superior porque quer que a universidade continue sendo um reduto da elite brasileira; por isso é contra as cotas; por isso é contra as licenciaturas; por isso reage de forma tão violenta e desqualificante - ELES NÃO QUEREM QUE O BRASIL SEJA O PAÍS DE TODOS E TODAS!

Outra pérola da matéria foi dedicada ao município de Cruz das Almas, descrita na pseudoreportagem como
"cidade da Bahia, nacionalmente famosa por sua temerária "guerra das espadas", travada durante os festejos de São João, não tem densidade educacional para abastecer de alunos uma universidade. "
Para eles, "a demanda real, na maioria dos casos, foi solenemente ignorada".

Segundo a jornalista de Veja, a cidade de Cruz das Almas, por ter apenas 800 alunos no Ensino Médio, não tem condições de comportar uma Universidade. Só que os dados reais dão conta de mais de 3 mil matrículas no Ensino Médio (EM), apenas na rede pública estadual de Cruz das Almas; quem somar esses números às matriculas da rede municipal (uma escola com EM) e particular (06 escolas com EM) verá tal quantitativo dobrar ou triplicar!!!

Mas o pior estava por vir... A jornalista completa sua avalanche de temeridades descrevendo Cruz das Almas como uma cidade situada no sertão baiano, mostrando total desconhecimento quer da geografia, quer da história do Recôncavo Baiano e de sua contribuição para a ocupação do território brasileiro!

Preconceito, inverdade, manipulação de fatos e dados. O que leva alguém que passou, no mínimo, quatro anos nos bancos de uma Universidade, a comprometer sua credibilidade assinando uma matéria como essas? Medo do desemprego, pressão dos patrões ou compromisso mesmo com as posições da elite?

Ora, atacar as universidades públicas federais é o meio - e não o fim - dos interesses do PIG. O que eles querem de verdade é atingir o governo, o presidente Lula e impedir a eleição de Dilma Rousseff.

ESCLARECIMENTO: O QUE É O PIG?

O Partido da Imprensa Golpista, também conhecido como PIG ou PiG, é um termo usado para se referir a jornalistas adeptos da direita política, que se utilizam da grande mídia como meio de propagar suas idéias e tentar desestabilizar governos de orientação política diversa.

A expressão surgiu entre internautas brasileiros em 2007, mas foi popularizada pelo jornalista Paulo Henrique Amorim em seu blog Conversa Afiada. Amorim, quando utiliza o termo, escreve com um i minúsculo, em alusão ao portal iG, donde foi demitido em 18de março de 2008, no que descreve como um processo de "limpeza ideológica". De acordo com ele, até políticos teriam passado a fazer parte do PIG: “O partido (PiG) deixou de ser um instrumento de golpe para se tornar o próprio golpe. Com o discurso de jornalismo objetivo, fazem o trabalho não de imprensa que omite; mas que mente, deforma e frauda.”

Se até bem pouco tempo as três famílias que dominam a imprensa brasileira (Marinho,das Organizações Globo; Frias, do Grupo Folha e Mesquita , do Grupo Estado), negavam que faziam oposição ao governo Lula e afirmavam que a imprensa não perseguiria mais o governo Lula que outros governos, mas apenas denunciaria irregularidades nas administrações públicas, as recentes declarações da presidente da Associação Nacional de Jornais, e executiva da Folha de São Paulo, Maria Judith Brito, publicadas em entrevista no jornal O Globo, fez cair-lhes a máscara. Na entrevista, a jornalista admite que a imprensa está sim cumprindo papel de oposição ao governo federal, "já que a oposição está profundamente fragilizada".
A polêmica declaração da executiva da Folha se deu no dia 18 de março último, durante reunião na sede da Fecomércio, no Rio, para discutir o Plano Nacional de Direitos Humanos - que tem sido duramente criticado pela mídia - contou com o testemunho de jornalistas e dirigentes das entidades de imprensa, ABERT (Associação Brasileira de Emissoras de Rádio e TV) e ANER (Associação Nacional dos Editores de Revistas), e serviu para deixar o jogo mais claro e as cartas postas na mesa. Agora não é mais possível à grande mídia vestir o papel de que faz 'controle social' e usar a assertiva da isenção politica e da neutralidade ideológica. Ela tem lado, e esse, definitivamente, não é o lado do povo brasileiro.

sexta-feira, 4 de dezembro de 2009

16 DIAS DE ATIVISMO

Os movimentos feminista e de mulheres promovem através da AGENDE a Campanha 16 Dias de Ativismo pelo Fim da Violência contra as Mulheres. Este ano a Campanha tem como slogan “Uma vida sem violência é um direito das mulheres. Comprometa-se. Tome uma atitude. Exija seus direitos”, e está focada nas chamadas violências “sutis”, ou seja, atos de violência moral, psicológica e de controle econômico e de sociabilidade, entre outros, considerados “normais” ou “naturais” por estarem arraigados na cultura e porque, muitas vezes, não são direta ou claramente percebidos como violência pela sociedade e pelas próprias mulheres vitimadas.

Por todo o país, organizações da sociedade civil e representantes dos poderes Executivo, Legislativo e Judiciário promovem ações de conscientização e disseminação de informações voltadas à busca de soluções para a situação de violência a que estão submetidas as mulheres no Brasil e no mundo.

Aqui em Cruz das Almas a Campanha já teve, em anos anteriores, destaque nas ações de grupos feministas e mesmo do poder público. No entanto, em 2009 estas entidades não prepararam nenhuma pauta ou atividade que pudesse trazer para a população um debate tão significativo.

Confesso aqui e agora minha co-responsabilidade nesse quesito, pois as atribuições profissionais vem, atualmente, desviando minha atenção, e meu tempo, das açoes mais especificas do movimento.

Em momentos anteriores me dediquei de forma muito especial à defesa dos direitos das mulheres, seja enquanto membro-fundadora do Coletivo de Mulheres em Luta Jacinta Passos, no Setorial de Mulheres do PT ou na condição de gestora do então Departamento de Politicas para as Mulheres da Prefeitura Municipal de Cruz das Almas, função que ocupei entre 2006 e 2008.

Foi um período muita aprendizagem, que serviu para reforçar e amadurecer minhas convicções politicas e ideológicas. Convivi com pessoas (mulheres) de diversas partes do país, nos diversos segmentos sociais e pode constatar que a opressão de genero afeta a todas, independente de classe social, idade ou local de moradia. É claro que em alguns ambientes ela é atenuada -ou disfarçada -, mas está lá, presente, latente ou não, pronta para ser enfrentada, desmascarada.

E essa opressão de manifesta de forma mais perversa nas práticas de violencia moral e psicológica , que perpassam subrepiticiamente as relações entre homens e mulheres e às quais nos acostumamos a ver/sentir sem reclamar ou nos chocar. Porque, se a violencia fisica já não encontra mais o amparo que antes a sociedade lhe dava ('lavar a honra com sangue', por exemplo, era uma máxima defendida pela legislação brasileira até poucos anos), a chamada violencia sutil, para a qual a Campanha dos 16 dias chama a nossa atenção, é simbólica, fere-nos de forma silenciosa, transformando em frangalhos a autoestima de milhares de mulheres.

Leia abaixo texto retirado do site da campanha. Lá podem ser encontrados outros textos, links para sites de organizações feministas do mundo inteiro e os materiais de divulgação da Campanha nos ultimos anos. Vale à pena uma visita e mais ainda adicionar aos seus 'favoritos': http://www.campanha16dias.org.br

A violência contra as mulheres de forma mais ampla: uma questão de cultura

Embora a discussão, os estudos e a legislação sobre violência contra as mulheres atualmente englobem as várias formas de manifestação (violência física, psicológica, sexual, patrimonial e moral), o grande foco encontra-se nos atos violentos visíveis, que deixam marcas físicas nas vítimas e praticamente não consideram a violência simbólica como prejuízo real às mulheres em situação de violência.

Faz-se necessário, portanto, que o enfrentamento à violência contra as mulheres seja conjugado a uma discussão ampla, capaz de desvendar e desconstruir as amarras da cultura milenar que estruturou e consolidou as desigualdades de gênero. Cultura aqui compreendida como um sistema simbólico formado por linguagem, arte, moral, direito, costumes, crenças religiosas, etc, que garante ou reproduz a integração social. São esses sistemas simbólicos que conferem sentido ao social e possibilitam consensos sobre a ordem estabelecida.

Vários elementos simbólicos funcionam como mecanismos eficientes de reprodução do patriarcado, tanto na esfera pública quanto na privada. A noção de “violência simbólica” busca traduzir a infinidade de discursos sobre o feminino (mulher), e suas relações com o masculino (homem).

Esses enunciados, de forma rotineira e quase imperceptível, orientam ações, difundem modelos referenciais, valores e julgamentos que, vinculados à prática social, dão sentido às construções dos sujeitos e reelaboram e reafirmam identidades.

A isso, Segato (2003) define como “violência moral”: “Todo aquello que envuelve agresión emocional, aunque no sea ni consciente ni deliberada. Entran aquí la ridicularización, la coacción moral, la sospecha, la intimidación, la condenación de la sexualidad, la desvalorización cotidiana de la mujer como persona, de su personalidad y sus trazos psicológicos, de su cuerpo, de sus capacidades intelectuales, de su trabajo, de su valor moral” (Rita Laura Segato, Las estructuras elementares de la violencia, Buenos Aires, Universidad de Quilmes, 2003, p.115).

Tal como observa a autora, esse tipo de violência pode ocorrer sem nenhuma agressão verbal, manifestando-se com gestos, atitudes, olhares. É uma violência naturalizada, porque está presente nos mesmos processos de socialização que ensinam aos sujeitos como se comportarem em sociedade.

Dizer que pode ocorrer sem nenhuma agressão (verbal ou física) não tira o prejuízo que causa a toda sociedade que, se estruturada num sistema de status que inferioriza um dos sexos, acaba por legitimar outros tipos de violência, como a sexual. Pois o corpo da mulher, por muito tempo visto como domínio do homem, gerou uma cultura em que o uso e abuso desse corpo, quando realizado pelo “dono” (pai, marido, parente), é considerado legítimo, mesmo que tal situação não esteja mais prevista na legislação vigente.

terça-feira, 28 de julho de 2009

23 anos de FUNGA

A Fundação Cultural Galeno d'Avelírio‏ - FUNGA, entidade que abriga a Casa da Cultura Galeno d'Avelírio‏ comemora seu 23º aniversário nesse fim de semana com programação prá lá de porreta!

Também pudera, são 23 anos dedicados à difusão da produção cultural de Cruz das Almas e do Recôncavo, valorizando a prata da casa mas também promovendo um importante intercambio com artistas de todo o Estado nas mais diversas áreas - cinema, literatura, poesia, música, dança, artes visuais, teatro...


Veja (aqui no blog e lá, pessoalmente) a programação:

31 de julho (sexta-feira) a partir das 20h30

Tocata com a Sociedade Filarmônica Euterpe Cruzalmense

Mostra de pôsteres Reflexos de Universos: Arte e Poesia

Abertura da mostra Instalações, com os artistas Daniel Almeida, Ieda oliveira, Nelson Magalhães Filho e Zé de Rocha; Apresentação dos alunos da oficina de música do Projeto Solidário.

1º de Agosto (Sábado) às 20h

Show com Liobório e banda Combustão Espontânea

Lançamento do CD " Sozinho, arrudiado de gente" - com participação do Grupo Corte

Para mais informações é só seguir o link:http://cruzdasalmas.com.br/casadacultura e o blog: http://galenodavelirio.blogspot.com/

A borboleta é um primeiro travesti da natureza, como a literatura o é da linguagem*

Foto: Wesley (http://br.olhares.com/lagarta_do__milho_foto2143341.htm)

Ser mulher moderna é uma labuta só!
Explico-me: depois de uma segunda-feira interinha de trabalho chego em casa às 11 da noite e lá vem minha filha a me lembrar 'mãe, vamos ver como está minha lagarta?'.

Era o trabalho de Ciências, tarefa da professora Rosilda, do 7º ano do Colégio Montessori. Lá fomos nós, de lupa em punho procurar patas e dentes na lagartinha que tia Cleia encontrou numa espiga de milho - me sendo de grande ajuda pois já andava desesperada - 'onde, por deus, haveria eu de encontrar uma lagarta para Alice?'.

A observação, longe de nos apontar respostas só aumentou nossas dúvidas. Fora dificil até saber de que lado ficava-lhe a boca, tanto mais quantos dentes teria aquela coisa verde como palha nova de milho abrigada no pote de vidro que originalmente guardava palmito. A solução foi recorrer ao anjo da guarda da mãe atarefada que acompanha com disposição a filha nas tarafas escolares: a internet!

E foi entre fotos e vídeos de ovos, lagartas, pupas e crisálidas que encontrei a frase da minha noite - 'a borboleta inventa ela mesma!'. De ovo a lagarta, de lagarta a pupa e a crisálida, dai a borboleta e de novo ovo e depois tudo e tudo e tudo a se reinventar...

E não é que posso eu, de verdade, tornar a me reiventar também?

A propósito, a frase acima, assim como a que entitula o post é de autoria de Renata Pimentel, e está publicada na Revista Paradoxo. É só seguir o link abaixo.Lá ela ensina, entre outras coisas, que borboletas são ro-pa-ló-ce-ros... (e eu também...

http://www.revistaparadoxo.com/materia.php?ido=2335

segunda-feira, 27 de julho de 2009

VOLTEI!

Genteeeemm!!

Quanto tempo sem passar por aqui!!

Tava morrendo de saudades, mas sem tempo prá dedicar ao blog, aos amigos e às amigas que o acompanham - voces não desistitam não, né? Bom, tô de volta...

Hoje tive um começo de noite espetacular, ao som da Orquestra de Frevos e Dobrados do Maestro Fred Dantas, em plena Cruz das almas - dá prá acreditar? No mesmo local onde, na noite de sábado, o pagode fez algumas vítimas nas várias brigas e confusões, o público presente na chamada praça Multiuso pode aproveitar a boa musica da orquestra em clima de paz e alegria. Houve que dancasse (eu tb!), mas a moiria só assistiu o festival de clássicos nacionais e internacionais. Mas a grande atração da noite (além do próprio Fred Dantas, claro) foi a cantora baiana Claudete Macedo. Breve dedico um post inteirinho a ela...

terça-feira, 5 de maio de 2009

FUNDAÇÃO CULTURAL GALENO D'AVELÍRIO - Patrimônio Cultural de Cruz das Almas


Em 1987 a cadeia municipal de Cruz das Almas mudava da rua XV de Novembro para um prédio novo. Nesse mesmo ano, um grupo de escritores e artistas da cidade, formado por Gláucia Guerra de Oliveira, Nelson Magalhães Filho, Hermes Peixoto, Luciano Passos, Graça Sena, Lita Passos e Luis Carlos Mendes, tecia um projeto que depois viria se mostrar decisivo para o desenvolvimento cultural e artístico do lugar: a criação da Casa da Cultura Galeno D'Avelírio, um espaço que lhes permitisse expandir os horizontes da arte cruzalmense, até então restrita às publicações de textos no Jornal Literário Reflexos de Universos, fundado em 1976.

Procuraram o então prefeito Sr. Carmelito Barbosa Alves reivindicando o espaço da antiga cadeia e o que era palco da privação iria se transformar em cenário de liberdade artística.
No dia 27 de Julho de 1987, abriam-se as portas da Casa da Cultura Galeno d'Avelírio com uma bonita programação cultural de inauguração.

No início de suas atividades, em 1987, a Fundação priorizou a realização de oficinas visando à formação/aprimoramento de talentos. Numa parceria com a Fundação Cultural do Estado da Bahia, promoveu oficinas de teatro, literatura, música e coral, teatro e dança, tendo como instrutores renomados profissionais da área.

Outras ações em parceria com a Fundação Cultural do Estado da Bahia tiveram como objetivo a formação continuada dos professores do ensino fundamental das redes pública e privada, mediante a realização de oficinas de música, teatro e literatura, visando à adoção dessas linguagens como instrumental didático-pedagógico.

Nos quase 23 anos de existencia, a Casa da Cultura foram realizadas 159 exposições (pintura, escultura, fotografias), 18 espetáculos de dança, 98 peças teatrais, 165 recitativos, 16 performances, e 146 shows musicais.

Foram lançados 25 livros, editados 78 números da revista literária Reflexos de Universos, e diversos eventos não incluídos nestas categorias como: Mostras de Penteados, Mostras de Arte em Porcelana Fria, Feira Mix Bazar Cultural, Loja de Artesanatos, Oficina de Penteados, Semanas da Consciência Negra, Semanas da Cultura Negra, Cursos para Modelos, Oficinas de Teatro, Oficinas de bateria, percussão e violão e Oficina de Dança.

Sediou reuniões do Grupo Ecológico Copioba, do Grupo Cruz das Almas Cidadã, do Coletivo de Mulheres em Luta Jacinta passos, do Grupo de Ajuda a Diabéticos, da APLB-Sindicato, entre outros, além das tardes de musica ao vivo no Bar D’elírio.
Todas essas atividades estão documentadas em acervo de cartazes, convites, fotografias, vídeos e obras doadas pelos expositores e escritores e podem ser consultadas pela população, caracterizando-se como importante aquivo da memória da produção cultural da cidade.

Atualmente a Casa de Cultura Galeno D’Avelírio, em Cruz das Almas, oferece Oficinas de Bateria, Percussão e Dança, entre outras atividades. Os cursos possuem duração de seis meses e são direcionados aos estudantes matriculados na rede pública de ensino.As aulas de percussão e bateria são ministradas na segunda e quarta-feira pelos facilitadores Alan Cerqueira, Paizinho e Ian Ferreira. Para efetivar a matrícula nas oficinas, o estudante precisa ter o comprovante de matricula, foto 3×4 e carteira de identidade. As inscrições estão abertas de segunda a sexta feira, das 14 às 18 h. Acesse: http://galenodavelirio.blogspot.com

segunda-feira, 20 de abril de 2009

Blog TOPA NA DIREC 32


Visite nosso Blog e fique sabendo das novas ações do Programa TOPA na Direc 32:

http://topadirec32.blogspot.com

Além dele, veja noticias do Programa em todo o Estado acessando:

programatopabahia.blogspot.com e boa viagem!!!

Tem TOPA na DIREC 32!!!

Em dezembro de 2008 assumi a tarefa de Supervisora do Programa Todos pela Alfabetização - TOPA, na Direc 32 - uma das tarefas mais prazerosas de toda a minha vida profissional.

Para topar esse desafio dexei minha sala de aula e segui para a Direc, a convite de minha companheira de longas jornadas, professora Carlinda Barros de Lacerda, diretora da Direc 32. Foi um sufoco!


Peguei, como se diz, 'o bonde andando', pois o Programa já estava em andamento, tendo encerrado sua primeira etapa e já preparando a 2ª - era a fase do cadastramento de turmas, alfabetizandos/as e alfabetizadores/as e coordenadores/as, contato com as entidades parceiras e a difícil tarefa de continuar o trabalho de Márcia Vinhas (foto), supervisora que deixava a Direc 32 para cumprir outras tarefas.


Contei nesta fase, com o apoio inestimável de Ginna Karla (foto abaixo), Celi, Franci e Rodrigo, colaboradores do Programa, que me ensinaram a tarefa que até hoje aprendo...

Minha primeira atividade 'oficial' como Supervisora foi acompanhar o grupo de representantes das entidades dos movimentos sociais até Salvador, para a Escuta Aberta às Entidades, no inicio de dezembro, onde conheci figuras incriveis, parceiros e parceiras que acreditam no Progtama e nele estão depositando suas energias, sonhos e expectativas de construir uma Bahia livre do fantasma (tão real) do analfabetismo.

No Topa desenvolvemos uma ação educativa das mais significativas - dar acesso à educação formal a milhares de pessoas que durante anos passaram ao largo dos bancos escolares - e por consequencia da cidadania plena - e hoje, aos 40, 50, 60, 70 anos de idade têm a oportunidade de aprender coisas que para nós, letrados/as, são [quase]corriqueiras: escrever o próprio nome num documento como RG ou título de eleitor, compreender uma notícia de jornal ou revista, ler um gibi, uma receita médica, uma carta de amor, um poema. Ir ao banco com segurança e sacar sua aposentadoria sem o medo de errar no uso do terminal eletrônico com todos os seus números e letras. Ter autonomia para ir e vir sem medo de pegar o ônibus errado... Tantos desafios, muita esperança!


Convido voce a partilhar comigo as emoções de viver este Programa, que só é possivel porque a Bahia hoje tem um Governo comprometido com a construção de uma educação para todos e todas. 'Tope' você também!!

terça-feira, 17 de março de 2009

Cordel prá acabar com a hipocrisia

A EXCOMUNHÃO DA VÍTIMA

Miguezim de Princesa


I
Peço à musa do improviso
Que me dê inspiração,
Ciência e sabedoria,
Inteligência e razão,
Peço que Deus que me proteja
Para falar de uma igreja
Que comete aberração.

II
Pelas fogueiras que arderam
No tempo da Inquisição,
Pelas mulheres queimadas
Sem apelo ou compaixão,
Pensava que o Vaticano
Tinha mudado de plano,
Abolido a excomunhão.

III
Mas o bispo Dom José,
Um homem conservador,
Tratou com impiedade
A vítima de um estuprador,
Massacrada e abusada,
Sofrida e violentada,
Sem futuro e sem amor.

IV
Depois que houve o estupro,
A menina engravidou.
Ela só tem nove anos,
A Justiça autorizou
Que a criança abortasse
Antes que a vida brotasse
Um fruto do desamor.

V
O aborto, já previsto
Na nossa legislação,
Teve o apoio declarado
Do ministro Temporão,
Que é médico bom e zeloso,
E mostrou ser corajoso
Ao enfrentar a questão.

VI
Além de excomungar
O ministro Temporão,
Dom José excomungou
Da menina, sem razão,
A mãe, a vó e a tia
E se brincar puniria
Até a quarta geração.

VII
É esquisito que a igreja,
Que tanto prega o perdão,
Resolva excomungar médicos
Que cumpriram sua missão
E num beco sem saída
Livraram uma pobre vida
Do fel da desilusão.

VIII
Mas o mundo está virado
E cheio de desatinos:
Missa virou presepada,
Tem dança até do pepino,
Padre que usa bermuda,
Deixando mulher buchuda
E bolindo com os meninos.

IX
Milhões morrendo de Aids:
É grande a devastação,
Mas a igreja acha bom
Furunfar sem proteção
E o padre prega na missa
Que camisinha na lingüiça
É uma coisa do Cão.

X
E esta quem me contou
Foi Lima do Camarão:
Dom José excomungou
A equipe de plantão,
A família da menina
E o ministro Temporão,
Mas para o estuprador,
Que por certo perdoou,
O arcebispo reservou
A vaga de sacristão.

segunda-feira, 16 de março de 2009

Boas Novas


Direitos da mulher pode virar disciplina do ensino médio


A Câmara aprovou, no último dia 10 de março, a inclusão de disciplina sobre os direitos da mulher no currículo do ensino médio em escolas públicas e particulares. Entre outras coisas, os alunos dos últimos três anos da educação básica vão ter aulas que visem a “conscientização sobre os direitos da mulher, abordando os aspectos históricos, sociológicos, econômicos, culturais e políticos que envolvem a luta da mulher pela conquista da igualdade de direitos”.

A matéria, objeto do Projeto de Lei 235/07, da deputada Alice Portugal (PCdoB-BA), foi analisada e aprovada na terça em caráter conclusivo pela Comissão de Constituição e Justiça e de Cidadania (CCJ). O relator da matéria na comissão, Flávio Dino (PCdoB-MA), disse que “a educação representa caminho central para o pleno respeito aos direitos humanos”. Para ele, o projeto é “importante passo para a redução de desigualdades e injustiças cometidas em razão de preconceito de gênero.”

O projeto original previa que a nova disciplina seria obrigatória, mas a Comissão de Educação e Cultura aprovou apenas a inclusão do conteúdo como disciplina optativa. (Agência Câmara)

sábado, 31 de janeiro de 2009

Palmas para Pirro, porra!

Resmungava eu de mim para mim na madrugada - "vitória de Pirro, foi isso sacanas, uma vitória de pirro e nada mais. Ou pensam vocês que a conta não vem??". Daí para acordar, curiosa, e buscar na 'historicidade das coisas' quem foi Pirro de fato deu-se só um pulo. Ei-lo:

Pirro (318 a.C.-272 a.C.), rei de Épiro, antiga região da Grécia (atual Albânia) à beira do mar Jônio, tornou-se famoso por ter sido um dos principais opositores aos romanos.
Bisneto do grande guerreiro grego Aquiles e primo materno de Alexandre Magno, rei macedônio, teve sua vida marcada não só por grandes feitos militares, mas também por dificuldades e atribulações diversas, inclusive quando de sua morte: segundo conta a lenda, em 272 a.C. ele decidiu intervir numa disputa cívica em Argos, e para isso entrou com o seu exército na cidade, às escondidas, mas acabou envolvido em confusa batalha travada nas ruas estreitas da localidade. Durante a luta, uma velha que observava tudo do alto de um telhado, atirou uma telha em Pirro, que caiu atordoado, disso se aproveitando um soldado inimigo para matá-lo.
Outra versão, porém, diz que ele foi envenenado por um servo. Já a história registra a vitória do rei que, indo ao campo de batalha para vislumbrar o cenário da derrota do inimigo, lá encontrou seu exército também tão destroçado, que lamentou amargamente o resultado do confronto. Daí o termo.
A trajetória militar do rei de Épiro em sua obstinada intenção de construir um império na Itália deixou como herança a expressão vitória de Pirro, usada para simbolizar tudo aquilo que se consegue a um custo bem mais alto que as vantagens obtidas. http://www.fernandodannemann.recantodasletras.com.br)
Pense: será que é preciso vencer, vencer e vencer sempre? Será que a perspectiva da vitória é a única que podemos viabilizar? Será que é humano vencer?
Há mais de dois mil anos e um bom tempo depois (lembram-se do faroeste?), a vitória era quase sempre sinônimo de sobrevivência concreta. Matar ou morrer. Com o homem do século XX parece que isto não aconteceu porque ele foi civilizado e distanciou-se pouco a pouco da barbárie de seus ancestrais... Será mesmo?
A noção de um processo civilizatório ou mesmo o referencial de ser civilizado como um bom caminho social, foi um produto da modernidade. Antes, ninguém se preocupava com isto, ou seja, pouco importava ser civilizado para um imperador romano ou um servo medieval. Eles até comiam com as mãos sem constrangimento, por exemplo.
O ser civilizado representou para o individuo moderno, entre outras coisas, se diferenciar das atrocidades cometidas pela humanidade no passado, com as quais o 'perfil' moderno não queria se assemelhar. E foi assim que passamos pelo século XX.
De fato, a civilização ocidental embarcou no século XXI sem comer com as mãos há algum tempo. Mas, por uma operação tão sofisticada quanto separar minuciosa e socialmente os espinhos de um peixe com um talher, esta sociedade aprimorou os detalhes da barbárie, de tal forma que eles passassem indeléveis pelo cotidiano.
A perspectiva de vencer sempre diante, ora de uma competição, ora de uma negociação, ora de uma simples e caseira relação interpessoal, foi parte deste mecanismo sofisticado da barbárie politicamente correta que passou olimpicamente por todo o século XX. Era preciso vencer na guerra, vencer na empresa, vencer na política, ...
Acontece que vencer, vencer e vencer é tão bárbaro quanto matar, matar e matar, porque ambos partem do mesmo princípio: o princípio da exclusão. Quando eu mato, excluo o problema, o conflito ou o desafio. Elimino, enfim, o que me incomoda. Quando venço, faço o mesmo. A diferença é que com o primeiro sou penalizada socialmente e com o segundo sou calorosamente aplaudida pela platéia...

sexta-feira, 30 de janeiro de 2009

Só pra deixar claro que voltei a postar por aqui, deixo mais um escrito, este agora da minha poeta preferida.



Tenho arrumado livros.
Tiro de uma prateleira sem ordem e coloco em outra
com ordem. Ficam espaços vazios.
Hora em hora.
Não tenho te dito nada.
Ligo para os outros.
O que poderia dizer é perigoso: certeza (asim como
eu disse: daqui dez anos estarei de volta) de que nos
reencontramos, cedo ou tarde.
Mas não sei mais quando

Cedo ou tarde reencontro - o ponto
de partida


Ana Cristina Cesar, Inéditos e Dispersos

Barak Obama. Considerações sobre os meus, os seus, os nossos...

Confesso que Barak Obama tem me surpreendido.
Na verdade, desde o início da corrida pela vaga na chapa Democrata às eleições do ano passado nos EUA, com Obama e Hillary Clinton disputando 'cabeça a cabeça' fiquei a pensar no quanto seriam emblematicas as duas candidaturas e em qual o seria mais - a do primeiro negro ou a primeira mulher.
Como acredito que não basta ser mulher, dei prá torcer por Obama - mas me mantendo com um pé atras - afinal o que é bom para os EUA, definitivamente, não é bom para o Brasil...
Eleito o cara, as comemorações pipocam em todos os cantos, como se a festa fosse na casa de cada um, da rica Europa à África avó do novo número um do planeta.
Mas eu não me deixava , como não me deixo ainda - esquecer que ele é um deles, não um de nós - ou alguém tem a ilusão de que se assim não fosse ele teria conseguido??
Só que, mesmo sendo um deles - ainda assim, Obama teve a coragem de manter-se fiel a quem o apoiou na campanha e ajudou a elegê-lo: as minorias politicas - gays e lésbicas, negros e negras, pobres, moradores de rua, mulheres... Tão diferente dos nossos, não é mesmo?
Emocionada, li a primeira notícia do governo Obama sobre as mulheres, no dia 22 de janeiro, poucos dias depois da posse, data em que a decisão da Suprema Corte que garante o direito ao aborto nos Estados Unidos fazia 36 anos: "o aborto deve ser permitido à mulher, por qualquer razão, até o momento em que o feto se transforme em 'viável', ou seja, quando seja potencialmente capaz de viver fora do útero da mãe sem ajuda artificial". Na nota o presidente Obama disse continuar “determinado a proteger a liberdade das mulheres de escolher entre ter um filho, ou não" e que "a data nos lembra que essa decisão não apenas protegeu a saúde das mulheres e a liberdade reprodutiva, mas simboliza um princípio maior: que o governo não tem de se intrometer nos assuntos familiares mais íntimos".
E minha surpresa não parou aí. A primeira lei sancionada por ele diz respeito, também, aos direitos das mulheres, instituindo a igualdade salarial entre homens e mulheres, um passo importante no combate à discriminação de gênero. Nas palavras do próprio - "ao sancionar esta lei hoje, eu pretendo dar uma mensagem clara, que não existem cidadãos de segunda categoria no trabalho" ** .
Aí vou, volto e chego à idéia manifesta acima - de deles e nossos, eles e nós, como se o fato de sermos de uma mesma categoria, partido politico ou posição ideológica pública nos tornasse a todos iguais ou diferentes, e a uns ‘melhores’ que os outros. Digo isso com a experiencia de quem tem vivido e lutado entre ditos iguais nas idéias, mas que na prática - quanta diferença... Os nossos, nos quais eu sempre acreditei, defendi e com quem lutei lado a lado, mostram-se hoje tão inversos e distantes que me fazem quase duvidar das minhas idéias de solidariedade, lealdade e justiça.
Por isso Barak Obama hoje se me torna um ícone - de lealdade, de coerência entre discurso e prática, texto e ação. Pode ser que logo ele volte a ser pra mim o outro, o do lado de lá, afinal são tantas as questões pendentes entre os súditos do mundo inteiro e o império americano, que não será dificil nos estranharmos já, já. Mas jamais vou esquecer este momento.

** Se existem em outro lugar ou posição é o que veremos nos próximos quatro anos.

quinta-feira, 15 de janeiro de 2009

NOTURNO

Chove. Lá fora os lampiões escuros
Semelham monjas a morrer... Os ventos,
Desencadeados, vão bater, violentos,
De encontro às torres e de encontro aos muros.

Saio de casa. Os passos mal seguros
Trêmulo movo, mas meus movimentos
Susto, diante do vulto dos conventos,
Negro, ameaçando os séculos futuros!

De São Francisco no plangente bronze
Em badaladas compassadas onze
Horas soaram... Surge agora a Lua.

E eu sonho erguer-me aos páramos etéreos
Enquanto a chuva cai nos cemitérios
E o vento apaga os lampiões da rua!

Augusto dos Anjos
Não posto faz tempo. Não que andasse sem tempo para escrever, pra isso sempre me sobra algum - mas sem disposição para sentar ao teclado e dizer nele tantas coisas que passam por mim. Os ultimos tempos tem sido de muita turbulencia e mudança e as mais significativas acabaram me conduzindo a uma pessoa que não gosto de ser nem de partilhar com ninguem. Assim, peço desculpas aos leitores deste blog para mais uma vez reservar o teclado apenas à paciencia spider

segunda-feira, 8 de dezembro de 2008

ANACÊ



Fui ao show da Anacê no sábado e adorei! A banda continua muito, muito massa.
O lugar não ajudou a criar o clima rocker que eu esperava - Sky, com aquele monte de mesa e cadeira paraecendo da sala de jantar da vovó, todo mundo sentado enquanto o som rolava... eu não aguentei: chamei meu amigo Guerra e caímos na dança!
Foi uma noitada, e tanto, na boa companhia de Graça, Gina, Guerra e Fernando

sábado, 29 de novembro de 2008

Sábado de boa música em SSA e Cruz das Almas

Neste sábado, 29 de novembro, quem aprecia boa música terá duas boas opções, em Salvador e Cruz das Almas, encerrando o mês da Conscincia Negra.

Em Salvador, Negra Li e D`Black fazem show na Senzala do Barro Preto - Sede do Ilê Aiyê, a partir das 20 horas, no grande “Espetáculo da Música Preta - II Afro em Cena”, fechando as celebrações do mês da Consciência Negra na capital baiana. O evento contara ainda com a participação do "mais belo dos belos", o Ilê Aiyê, discotecagem com DJ Bandido e DJ Leandro, do samba do grupo Samba de Cozinha, do Reggae da banda Mosiah e com o Rap do 4Preto.



Em Cruz das Almas, na Casa da Cultura, será a vez do hip hop dos grupos Filosofia Consciente do Rap, CLÃ-B.A. e Neto DO RAP e de um bate-papo consciente sobre a Semana da Consciência Negra, a partir das 20 horas com entrada franca.



Os dois eventos tem como objetivo contribuir para o enriquecimento cultural de matriz africana, criando oportunidades aos profissionais da comunidade negra exporem sua arte, suas imagens e expressões.

sexta-feira, 28 de novembro de 2008

Observatório da Imprensa mantém acordo Brasil-Vaticano em pauta

Reproduzo a seguir artigo de Lilia Diniz, publicado no site do programa Observatório da Imprensa, que recebi por email.
O tema é o acordo recém-assinado pelo presidente Lula com o Vaticano, que implicará na obrigatóriedade do ensino religioso nas escolas, contrariando a Constituição (no Artigo 19, que proíbe alianças entre o governo e cultos religiosos ou igrejas) e a lei de Diretrizes e Bases da Educação - LDB.
O mais grave em tudo isso é o quase total silêncio da mídia sobre assunto tão importante, que reforça os privilégios que o Estado brasileiro concede à Igreja Católica, em detrimento das religiões menos poderosas.
Como educadora, sempre me posicionei contrária ao ensino religioso. O Brasil é um país laico e religião é assunto de foro íntimo que, como tal, deve ser tratado pelas famílias e não pelo Estado. Partilho assim, das posições da coordenadora da área de Filosofia e Educação da Pós-Graduação em Educação da USP Roseli Fischmann, uma das participante do debate no programa da TVE Brasil.
Vejam mais no site do Observatório:
http://www.observatoriodaimprensa.com.br/artigos.asp?cod=513JDB008

O programa Observatório da Imprensa n. 487, transmitido ao vivo no dia 25/11, e reprisado hoje, 27, de madrugada, foi sobre a assinatura do acordo Vaticano-Governo Lula. O texto introdutório apresentado pelo jornalista Alberto Dines, qualificou como "barriga coletiva" (quando o conjunto de veículos esconde uma informação) ou autocensura da imprensa, a ausência de análises sobre o conteúdo desse acordo, que "infringe o espírito e a letra da carta magna".
Numa demonstração de coragem, o programa contribuiu para manter aceso o diálogo, quando o ambiente é de pesado e sintomático silêncio.
O programa foi introduzido por um vídeo que continha alguns dos aspectos apresentados aqui no blog, como a experiência nefasta do Rio de Janeiro com a lei de ensino religioso nas escolas, sancionada por Rosinha Garotinho, e a existência de acordos similares, como o que foi assinado em 2004, entre o Vaticano e o governo português.
Um dos debatedores foi o advogado da CNBB, Hugo Sarubbi Cysneiros, que defendeu o acordo minimizando as críticas ao caráter sigiloso, e ao aspecto de que o documento formaliza privilégios. Ele buscou no marco legal elementos para justificar que o Brasil é um estado laico, mas não pagão. Recorreu à citação de deus na introdução do texto constitucional, à menção ao ensino religioso -mesmo que não obrigatório- nas escolas, reafirmada na lei de Diretrizes e Bases, e à figura do casamento religioso presente no Código Civil. Cysneiros atribui qualquer diferencial no tratamento dado pelo Estado, comparativamente ao recebido por outras religiões, ao 'detalhe' de que o Vaticano tem status de estado-nação, o que lhe dá competência para assinar tratados dessa natureza. Quereria ele dizer com isto que, a pretender o mesmo tratamento, que busquem as outras religiões o mesmo status?
Também como debatedora, estava a coordenadora da área de Filosofia e Educação da Pós-Graduação em Educação da USP Roseli Fischmann, e o pastor da Catedral Presbiteriana do Rio de Janeiro, Guilhermino Silva da Cunha. Jornalistas de diversos veículos foram convidados, mas não aceitaram participar, como informou o âncora.
Fischmann apresentou sua visão de como –no alegado ambiente de violência em que vivemos- as escolas devem ensinar valores de respeito ao próximo e de cidadania sem recorrer a uma matriz religiosa. Ao contrário, para ela, impor uma matriz sobre outras tem um caráter excludente e gera ainda mais tensões na sociedade.
É preciso lembrar que cerca de 30%, ou mais, da população brasileira nada tem a ver com a Igreja católica, e que entre os outros 70% que se dizem católicos/as, muitos/as não seguem os preceitos e se posicionam contrariamente a sua hierarquia, em vários temas.
O pastor Silva da Cunha apontou criticamente os privilégios que beneficiam a Igreja católica, mas defendeu as concessões e/ou compra de espaços em rádio e televisão, de que evangélicos, como sua igreja, se beneficiam.
Para Dines os privilégios concedidos pelo estado brasileiro estão dos dois lados, seja sob a forma do acordo, como dessas concessões:
"… no lugar de seguir a constituição e estabelecer completa separação entre estado e religião, o Brasil inventou uma forma original de administrar o conflito religioso, oferecendo vantagens às confissões religiosas mais poderosas".
Uma evidência se anuncia: ou a sociedade se mobiliza para debater e expressar publicamente sua crítica sobre a inconstitucionalidade desse acordo, ponto por ponto, ou o processo no Congresso Nacional circulará em solo acolhedor para um desfecho final rumo à ratificação do retrocesso, possivelmente em meio ao confortável silêncio da mídia e do governo, quanto às reais questões em jogo nesse histórico episódio.
Síntese do programa pode ser lida no artigo Mídia se cala sobre o acordo
do governo com a Santa Sé, de Lilia Diniz, no portal do Observatório da Imprensa.

Igualdade de gênero: Das palavras aos fatos

Em artigo publicado na revista eletrônica Envolverde, Inês Alberdi, diretora-executiva do Fundo de Desenvolvimento das Nações Unidas para a Mulher (Unifem), analisa o atual modelo de desenvolvimento econômico, à luz das desigualdades de gênero.

Alberdi afirma que as atuais crises globais – de alimentos, combustíveis e financeiras – deixaram claro que o modelo do desenvolvimento convencional já não é mais viável. A promoção da liberalização do mercado e da austeridade fiscal como instrumentos para estimular o crescimento econômico deve ser revista. Os acordos internacionais, começando pelos Objetivos de Desenvolvimento do Milênio, apóiam políticas que vão além do mero crescimento econômico, pois têm como meta um desenvolvimento justo e sustentável. O Consenso de Monterrey, por exemplo, diz que o financiamento de um desenvolvimento simples e centrado nas pessoas é essencial para responder aos desafios da globalização. Nesse contexto, destaca-se que o investimento na igualdade entre os gêneros tem um efeito multiplicador na produtividade e que o aumento das opções econômicas das mulheres é fundamental para alcançar os ODM.

Entre 29 de novembro e 2 de setembro acontecerá em Doha (Qatar) uma conferência que aprovará o documento final sobre o financiamento do desenvolvimento. O rascunho desse documento reconhece estes vínculos e identifica a igualdade de gênero como um desafio-chave para o desenvolvimento, junto com os da mudança climática e as crises de alimentos e energia.

No artigo a autora destaca ser "de vital importância que o documento final de Doha contenha referências aos vínculos estruturais entre as políticas macroeconômicas e a igualdade de gênero. Os laços entre a igualdade de gênero e o desenvolvimento deveriam também ser apontados dentro das sessões específicas da agenda do financiamento para o desenvolvimento." Tudo isto para ampliar as oportunidades para as mulheres e para reduzir os riscos aos quais elas estão frequentemente expostas, incluindo a perda do trabalho e de renda e o acesso limitado aos bens e serviços públicos. Entre as conseqüências negativas das políticas de ajuste fiscal tem particular destaque a paralisação das oportunidades de emprego e a redução de gastos em serviços públicos e em proteção social. Essas medidas obrigam as mulheres a assumirem responsabilidades adicionais quanto à assistência de suas famílias, o que limita suas opções na obtenção de empregos e em atividades empresariais.

Outros destaques são dados à ampliação das opções das mulheres no mercado de trabalho e melhora do seu acesso aos bens financeiros e produtivos; dos esforços para sustentar o grande número de mulheres que desempenham trabalhos informais e melhora das opções para os pequenos agricultores, cuja maioria deles em muitos países é de mulheres.

Por fim, destaque para a fala do secretário-geral da ONU, para quem “existe uma ampla opinião sobre a necessidade de melhor compreensão do papel da mulher no desenvolvimento, indo mais além de suas funções como cuidadora de crianças, deficientes ou doentes e como trabalhadora. As políticas macroeconômicas deveriam ser mais coerentes com outras políticas para conseguir a igualdade de gênero”.

Artigo completo: http://envolverde.ig.com.br/materia.php?cod=54190&edt=1

terça-feira, 25 de novembro de 2008

Homens Unidos pelo fim da Violência contra as Mulheres

O combate às desigualdades de gênero só se tornará realidade quando se converter em uma luta de mulheres e homens unidos.
Apoie essa causa assinando esse compromisso público de contribuir pela implementação integral da Lei Maria da Penha e pela efetivação de políticas públicas que visam o fim de qualquer forma de violência contra as mulheres.

Veja mais informações e o abaixo-assinado no link abaixo.
http://www.homenspelofimdaviolencia.com.br/

domingo, 23 de novembro de 2008

Quarto de despejo – diário de uma favelada. Um pouco mais sobre Carolina Maria de Jesus



Quarto de despejo foi lançado pela Livraria Francisco Alves em agosto de 1960 e editado oito vezes no mesmo ano; mais de 70 mil exemplares foram vendidos na época. Para se ter uma idéia do sucesso, para uma tiragem então ser considerada bem-sucedida, era preciso alcançar a margem de, aproximadamente, quatro mil exemplares.
Nos cinco anos seguintes, Quarto de despejo foi traduzido para 14 idiomas e alcançou mais de 40 países, como Dinamarca, Holanda, Argentina, França, Alemanha, Suécia, Itália, Tchecoslováquia, Romênia, Inglaterra, Estados Unidos, Rússia, Japão, Polônia, Hungria e Cuba.



Síntese da obra

Quarto de despejo é um relato de fatos verídicos vivenciados ou presenciados pela autora, que faz questão de registrá-los quase que diariamente. Em seu diário, Carolina Maria de Jesus descreve a favela do Canindé, as pessoas e o tipo de vida que levam. Relata as brigas constantes entre marido, mulher e vizinhos, a fome, as dificuldades para se obter comida, as doenças a que estão sujeitos os moradores da favela, seus hábitos e costumes, as mortes, o suicídio, a presença constante da miséria de uma sociedade marginalizada e esquecida pelos governantes.

“15 de julho de 1955. Aniversário de minha filha Vera Eunice. Eu pretendia comprar um par de sapatos para ela.”
Assim tem início o diário de Carolina, que terminará em 1º de janeiro de 1960:
“1.º de janeiro de 1960. Levantei as 5 horas e fui carregar água.”

Ao longo desses anos, a autora registra a vida na favela, a sua luta diária contra a fome, o esforço para criar com dignidade os filhos José Carlos, João e Vera Eunice. A fome é uma constante ao longo da obra:
"Como é horrível ver um filho comer e perguntar: Tem mais? Esta palavra tem mais fica oscilando do cérebro de uma mãe que olha a panela e não tem mais. E a pior coisa para uma mãe é ouvir esta sinfonia: - Mamãe eu quero pão! Mamãe, eu estou com fome! Eu estou triste porque não tenho nada para comer.”

Quando consegue algum alimento, a narradora reflete sobre sua condição de pessoa expulsa do mundo humano:
“Quando eu levava feijão pensava: hoje eu estou parecendo gente bem, vou cozinhar feijão. Parece até um sonho!”

A miséria que presencia é tão chocante que Carolina acha que alguém poderia não acreditar no que conta:
“.... Há existir alguém que lendo o que eu escrevo dirá... isto é mentira! Mas, as misérias são reais.”

Com grande senso crítico, a autora destaca as visitas do padre à favela:
“De manhã o padre veio dizer missa. Ontem ele veio com o carro capela e disse aos favelados que eles precisam ter filhos. Penso: porque há de ser o pobre quem há de ter filhos ¬ se filhos de pobre tem que ser operário? (...) Para o senhor vigário, os filhos de pobre criam só com pão. Não vestem e não calçam.”

O contraste entre a favela e a cidade é percebido com acuidade e senso crítico por Carolina:
“Quando eu vou na cidade tenho a impressão de que estou no paraíso. Acho sublime ver aquelas mulheres e crianças tão bem vestidas. Tão diferentes da favela. As casas com seus vasos de flores e cores variadas.Aquelas paisagens há de encantar os visitantes de São Paulo, que ignoram que a cidade mais afamada da América do Sul está enferma. Com as suas ulceras. As favelas.”

Fatos corriqueiros como brigas entre marido e mulher, entre as mulheres e os bêbados, a presença da Rádio Patrulha, mortes por intoxicação com alimentos putrefatos são narrados com detalhes por Carolina:
“Eu já estou tão habituada a ver brigas que já não impressiono. Despertei com um bate-fundo perto da janela. Era a Ida e a Amália.A briga começou lá na Leila. Elas não respeitam nem a extinta. O Joaquim interviu pedindo para respeitar o corpo. Elas foram brigar na rua.”

Ao olhar atento da narradora nada escapa:
“.... Nas favelas, as jovens de 15 anos permanecem até a gora que elas querem. Mescla-se com as meretrizes, contam suas aventuras [...] Há os que trabalham. E há os que levam a vida a torto e a direito.As pessoas de mais idade trabalham, os jovens é que renegam o trabalho. Tem as mães, que catam frutas e legumes nas feiras. Tem as igrejas que dá pão.”

Sempre em atrito com os vizinhos por causa dos filhos, Carolina diz:
“ Os meus filhos estão defendendo-me. Vocês são incultas, não pode compreender. Vou escrever um livro referente a favela. Hei de citar tudo que aqui se passa. E tudo que vocês me fazem. Eu quero escrever o livro, e vocês com estas cenas desagradáveis me fornece os argumentos.”

Carolina demonstra ser uma pessoa exatamente atualizada em relação ao que se passa na vida política do país, o que se comprova pelas constantes referências aos políticos em destaque na época, como Carlos Lacerda, Jânio Quadros, Adhemar de Barros e Juscelino Kubitschek.A exploração da boa-fé do povo pelos políticos na época de eleições, as visitas dos candidatos à favela, os pequenos agrados e as promessas não cumpridas são registradas pela narradora de forma crítica e consciente.
“.... Quando um político diz nos seus discursos que está ao lado do povo, que visa incluir-se na política para melhorar as nossas condições de vida pedindo o nosso voto prometendo congelar os preços, já está ciente
que abordando este grave problema ele vence nas urnas. Depois divorcia-se do povo. Olho o povo com os olhos semicerrados. Com um orgulho que fere a nossa sensibilidade.”


Sobre sua obra, Carolina afirma:
"Escrevo a miséria e a vida infausta dos favelados. Eu era revoltada, não acreditava em ninguém. Odiava os políticos e os patrões, porque o meu sonho era escrever e o pobre não pode ter ideal nobre. Eu sabia que ia angariar inimigos, porque ninguém está habituado a esse tipo de literatura. Seja o que Deus quiser. Eu escrevi a realidade."

Outros trechos

22 de julho de 1955

... Eu gosto de ficar dentro de casa, com as portas fechadas. Não gosto de ficar nas esquinas conversando. Gosto de ficar sozinha e lendo. Ou escrevendo! Virei na rua Frei Antonio Galvão. Quase não tinha papel.(...) Enchi dois sacos na rua Alfredo Maia. Levei um até ao ponto e depois voltei para levar outro. Percorri outras ruas. Conversei um pouco com o senhor João Pedro. Fui na casa de uma preta levar umas latas que ela tinha pedido. Latas grandes para plantar flores. Fiquei conhecendo uma pretinha muito limpinha que falava muito bem. Disse ser costureira, mas não gostava da profissõ. E que admirava-me. Catar papel e cantar.
Eu sou muito alegre. Todas as manhãs eu canto. Sou como as aves, que cantam apenas ao amanhecer. De manhã eu estou sempre alegre. A primeira coisa que faço é abrir a janela e contemplar o espaço.

7 de junho de 1958

Os meninos tomaram café e foram a aula. Eles estão alegres porque hoje teve café. Só quem passa fome é que dá valor a comida.
Eu e Vera fomos catar papel. Passei no Frigorifico para pegar lingüiça. Contei 9 mulheres na fila. Eu tenho mania de observar tudo, contar tudo, marcar os fatos.
Encontrei muito papel nas ruas. Ganhei 20 cruzeiros. Fui no bar tomar uma média. Uma para mim e outra para a Vera. Gastei 11 cruzeiros. Fiquei catando papel até as 11 e meia. Ganhei 50 cruzeiros.
... Quando eu era menina o meu sonho era ser homem para defender o Brasil porque eu lia a Historia do Brasil e ficava sabendo que existia guerra. Só lia os nomes masculinos como defensor da patria. Então eu dizia para a minha mãe:
- Porque a senhora não faz eu virar homem?
Ela dizia:
- Se você passar por debaixo do arco-íris você vira homem.
Quando o arco-iris surgia eu ia correndo na sua direção. Mas o arco-iris estava sempre distanciando. Igual os politicos distantes do povo. Eu cançava e sentava. Depois começava a chorar. Mas o povo não deve cançar. Não deve chorar. Deve lutar para melhorar o Brasil para os nossos filhos não sofrer o que estamos sofrendo. Eu voltava e dizia para a mamãe:
- O arco-iris foge de mim.
... Nós somos pobres, viemos para as margens do rio. As margens do rio são os lugares do lixo e dos marginais. Gente da favela é considerado marginais. Não mais se vê os corvos voando as margens do rio, perto dos lixos. Os homens desempregados substituiram os corvos. (...)

9 de junho de 1958

... Eu já estava deitada quando ouvi as vozes das crianças anunciando que estavam passando cinema na rua. Não acreditei no que ouvia. Resolvi ir ver. Era a Secretaria da Saude. Veio passar um filme para os favelados ver como é que o caramujo transmite a doença anêmica. Para não usar as aguas do rio. Que as larvas desenvolve-se nas aguas(...) Até a agua... que em vez de nos auxiliar, nos contamina. Nem o ar que respiramos, não é puro, porque jogam lixo aqui na favela.
Mandaram os favelados fazer mictorios.


11 de junho de 1958


... Já faz seis meses que eu não pago a agua. 25 cruzeiros por mês. E por falar na agua, o que eu não gosto e tenho pavor é de ir buscar agua. Quando as mulheres aglomeram na torneira, enquanto esperam a sua vez para encher a lata vai falando de tudo e de todos. (...) Fiz o café e fui carregar agua. Olhei o céu, a estrela Dalva já estva no céu. Como é horrível pisar na lama. As horas que sou feliz é quando estou residindo nos castelos imaginarios (...).



JESUS, Carolina Maria de. Quarto de despejo – diário de uma favelada.
São Paulo: Ática, 1993. Série Sinal Aberto.

quinta-feira, 20 de novembro de 2008

20 de novebro - nossa homenagem às mulheres negras

No 20 de novembro, Dia Nacional da Consciencia Negra, resolvemos homenagear algumas mulheres negras que se destacaram por assumir posições e atitudes de vanguarda para as épocas em que viveram.



Luiza Mahin: mulher guerreira



Esta africana guerreira teve importante papel na Revolta dos Malês. Pertencente à etnia jeje, alguns afirmam que ela foi transportada para o Brasil, como escrava; outros se referem a ela como sendo natural da Bahia e tendo nascido livre por volta de 1812. Em 1830 deu a luz a um filho, Luis Gama, que mais tarde se tornaria poeta e abolicionista e escreveria as seguintes palavras sobre sua mãe: ‘‘Sou filho natural de uma negra africana, livre, da nação nagô, de nome Luiza Mahin, pagã, que sempre recusou o batismo e a doutrina cristã’’. Luiza Mahin foi uma mulher inteligente e rebelde. Sua casa tornou-se quartel general das principais revoltas negras que ocorreram em Salvador em meados do século XIX, dentre elas a chamada Grande Insurreição, de 1835. Luiza conseguiu escapar da violenta repressão desencadeada pelo Governo da Província e partiu para o Rio de Janeiro, onde também parece ter participado de outras rebeliões negras, sendo por isso presa e, possivelmente, deportada para a África.


Antonieta de Barros - primeira deputada negra




Ao longo de sua vida, Antonieta atuou como professora, jornalista e escritora. Como tal, destacou-se, entre outros aspectos, pela coragem de expressar suas idéias dentro de um contexto histórico que não permitia às mulheres a livre expressão. Antonieta de Barros notabilizou-se por ter sido a primeira deputada estadual negra do país e primeira deputada mulher do estado de Santa Catarina. Eleita em 1934 pelo Partido Liberal Catarinense, foi constituinte em 1935. Atuou na assembléia legislativa catarinense até 1937, quando teve início a ditadura do Estado Novo. Com o fim do regime ditatorial, ela se candidatou pelo Partido Social Democrático e foi eleita novamente em 1947, desta vez como suplente.

Carolina Maria - cotidiano de mulher favelada



Carolina Maria de Jesus nasceu no interior de Minas Gerais, em uma família extremamente pobre de sete irmãos e tendo que trabalhar cedo para ajudar no sustento da casa. Por isso, estudou apenas até o segundo ano primário.

Nos anos 30, mudou-se para São Paulo e foi morar na favela do Canindé ganhando seu sustento e de seus três filhos como catadora de papel. No meio do lixo, Carolina encontrou uma caderneta, onde passou a registrar seu cotidiano de favelada, em forma de diário, dando inicio a uma literatura de denuncia sócio-política de um contexto hegemônico e excludente.

sexta-feira, 14 de novembro de 2008

ZÉ DE ROCHA NA 9ª BIENAL DO RECÔNCAVO E NA FUNGA


O artista plástico cruzalmense, ou pintor, como ele mesmo declarou em seu blog, Zé de Rocha foi o grande vencedor da 9ª Bienal do Recôncavo.
Os trabalhos expostos na Bienal já são conhecidos do público apreciador de arte em Cruz das Almas desde o mês de julho, quando foram expostos na Casa da Cultura Galeno d'Avelírio. A gravura "Ensaio para a Bala Perdida", aborda a violência usando uma estética contemporânea e lhe rendeu como prêmio um curso de três meses na Europa, em sua área de atuação.


Matéria publicada no jornal A Tarde, no dia 8 de novembro, reproduziu declaração de Juarez Paraíso, membro da comissão julgadora, onde o artista observou que Zé de Rocha conseguiu, em sua obra, abordar a violência se colocando como um personagem de HQ. "Ele é um artista muito denso e talentoso e seu trabalho conseguiu transformar a fotografia numa linguagem gráfica mais contundente", avaliou Juarez.

Veja mais sobre Zé de Rocha em:
http://www.atarde.com.br/cultura/noticia.jsf?id=1004123#
http://galenodavelirio.blogspot.com/
http://www.zederocha.blogspot.com/

quinta-feira, 13 de novembro de 2008

Florbela Espanca



Sonho Morto
Nosso sonho morreu. Devagarinho,
Rezemos uma prece doce e triste
Por alma desse sonho! Vá… baixinho…
Por esse sonho, amor, que não existe!

Vamos encher-lhe o seu caixão dolente
De roxas violetas; triste cor!
Triste como ele, nascido ao sol poente,
O nosso sonho… ai!… reza baixo… amor…

Foste tu que o mataste! E foi sorrindo,
Foi sorrindo e cantando alegremente,
Que tu mataste o nosso sonho lindo!

Nosso sonho morreu… Reza mansinho…
Ai, talvez que rezando, docemente,
O nosso sonho acorde… mais baixinho…

Confissão
Aborreço-te muito. Em ti há qualquer cousa
De frio e de gelado, de pérfido e cruel,
Como um orvalho frio no tampo duma lousa,
Como em doirada taça algum amargo fel.

Odeio-te também. O teu olhar ideal
O teu perfil suave, a tua boca linda,
São belas expressões de todo o humano mal
Que inunda o mar e o céu e toda a terra infinda.

Desprezo-te também. Quando te ris e falas,
Eu fico-me a pensar no mal que tu calas
Dizendo que me queres em íntimo fervor!

Odeio-te e desprezo-te. Aqui toda a minh’alma
Confessa-to a rir, muito serena e calma!
……………………………………………………..
Ah, como eu te adoro, como eu te quero, amor!…



Escuta...
Escuta, amor, escuta a voz que ao teu ouvido
Te canta uma canção na rua em que morei,
Essa soturna voz há de contar-te, amigo
Por essa rua minha os sonhos que sonhei!

Fala d’amor a voz em tom enternecido,
Escuta-a com bondade. O muito que te amei
Anda pairando aí em sonho comovido
A envolver-te em oiro!… Assim s’envolve um rei!

Num nimbo de saudade e doce como a asa
Recorta-se no céu a minha humilde casa
Onde ficou minh’alma assim como penada

A arrastar grilhões como um fantasma triste.
É dela a voz que fala, é dela a voz que existe
Na rua em que morei… Anda crucificada!

Desalento
Às vezes oiço rir, é ’ma agonia
Queima-me a alma como estranha brasa
Tenho ódio à luz e tenho raiva ao dia
Que me põe n’alma o fogo que m’abrasa!

Tenho sede d’amar a humanidade…
Eu ando embriagada… entontecida…
O roxo de maus lábios é saudade
Duns beijos que me deram n’outra vida!

Ei não gosto do Sol, eu tenho medo
Que me vejam nos olhos o segredo
Que só saber chorar, de ser assim…

Gosto da noite, imensa, triste, preta,
Como esta estranha e doida borboleta
Que eu sinto sempre a voltejar em mim!

Errante
Meu coração da cor dos rubros vinhos
Rasga a mortalha do meu peito brando
E vai fugindo, e tonto vai andando
A perder-se nas brumas dos caminhos.

Meu coração o místico profeta,
O paladino audaz da desventura,
Que sonha ser um santo e um poeta,
Vai procurar o Paço da Ventura…

Meu coração não chega lá decerto…
Não conhece o caminho nem o trilho,
Nem há memória desse sítio incerto…

Eu tecerei uns sonhos irreais…
Como essa mãe que viu partir o filho,
Como esse filho que não voltou mais!

terça-feira, 11 de novembro de 2008

Graduação em Gênero e Diversidades

Gênero e Diversidades é nova opção de graduação da UFBA

Temática que antes era restrita aos cursos de pós-graduação, se insere entre as ofertas para ingresso na universidade através de vestibular. Vagas estarão disponíveis no próximo concurso de verão

A Universidade Federal da Bahia (UFBA) deu um passo à frente ao ampliar as reflexões sobre mulheres, gênero e feminismo para a graduação. No próximo concurso vestibular, já estarão disponíveis vagas para o primeiro curso de graduação Gênero e Diversidades do Brasil.

Oferecendo as modalidades licenciatura e bacharelado, o curso visa a formar profissionais e educadores aptos a tratar das questões relacionadas à perspectiva de gênero e outras diversidades no âmbito das políticas públicas
e do ensino. Além dessa graduação, a UFBA também aprovou, no contexto dos bacharelados interdisciplinares de Humanidades, a área de concentração em Estudos de Gênero.

Leia Mais: http://www.patriciagalvao.org.br/