sexta-feira, 30 de janeiro de 2009

Barak Obama. Considerações sobre os meus, os seus, os nossos...

Confesso que Barak Obama tem me surpreendido.
Na verdade, desde o início da corrida pela vaga na chapa Democrata às eleições do ano passado nos EUA, com Obama e Hillary Clinton disputando 'cabeça a cabeça' fiquei a pensar no quanto seriam emblematicas as duas candidaturas e em qual o seria mais - a do primeiro negro ou a primeira mulher.
Como acredito que não basta ser mulher, dei prá torcer por Obama - mas me mantendo com um pé atras - afinal o que é bom para os EUA, definitivamente, não é bom para o Brasil...
Eleito o cara, as comemorações pipocam em todos os cantos, como se a festa fosse na casa de cada um, da rica Europa à África avó do novo número um do planeta.
Mas eu não me deixava , como não me deixo ainda - esquecer que ele é um deles, não um de nós - ou alguém tem a ilusão de que se assim não fosse ele teria conseguido??
Só que, mesmo sendo um deles - ainda assim, Obama teve a coragem de manter-se fiel a quem o apoiou na campanha e ajudou a elegê-lo: as minorias politicas - gays e lésbicas, negros e negras, pobres, moradores de rua, mulheres... Tão diferente dos nossos, não é mesmo?
Emocionada, li a primeira notícia do governo Obama sobre as mulheres, no dia 22 de janeiro, poucos dias depois da posse, data em que a decisão da Suprema Corte que garante o direito ao aborto nos Estados Unidos fazia 36 anos: "o aborto deve ser permitido à mulher, por qualquer razão, até o momento em que o feto se transforme em 'viável', ou seja, quando seja potencialmente capaz de viver fora do útero da mãe sem ajuda artificial". Na nota o presidente Obama disse continuar “determinado a proteger a liberdade das mulheres de escolher entre ter um filho, ou não" e que "a data nos lembra que essa decisão não apenas protegeu a saúde das mulheres e a liberdade reprodutiva, mas simboliza um princípio maior: que o governo não tem de se intrometer nos assuntos familiares mais íntimos".
E minha surpresa não parou aí. A primeira lei sancionada por ele diz respeito, também, aos direitos das mulheres, instituindo a igualdade salarial entre homens e mulheres, um passo importante no combate à discriminação de gênero. Nas palavras do próprio - "ao sancionar esta lei hoje, eu pretendo dar uma mensagem clara, que não existem cidadãos de segunda categoria no trabalho" ** .
Aí vou, volto e chego à idéia manifesta acima - de deles e nossos, eles e nós, como se o fato de sermos de uma mesma categoria, partido politico ou posição ideológica pública nos tornasse a todos iguais ou diferentes, e a uns ‘melhores’ que os outros. Digo isso com a experiencia de quem tem vivido e lutado entre ditos iguais nas idéias, mas que na prática - quanta diferença... Os nossos, nos quais eu sempre acreditei, defendi e com quem lutei lado a lado, mostram-se hoje tão inversos e distantes que me fazem quase duvidar das minhas idéias de solidariedade, lealdade e justiça.
Por isso Barak Obama hoje se me torna um ícone - de lealdade, de coerência entre discurso e prática, texto e ação. Pode ser que logo ele volte a ser pra mim o outro, o do lado de lá, afinal são tantas as questões pendentes entre os súditos do mundo inteiro e o império americano, que não será dificil nos estranharmos já, já. Mas jamais vou esquecer este momento.

** Se existem em outro lugar ou posição é o que veremos nos próximos quatro anos.

3 comentários:

graça sena disse...

bom retorno à blogosfera, Mari. Gostei da repaginada do blog.
Que tal incluir o link da rainha mórbida?

Anônimo disse...

Não sabia dessa sua faceta de analista. E escreve bem, concatenada com as idéias. Parabéns. Carlinhos

Marisete do PT Cruz das Almas - BA disse...

Socializo a seguir e-mai que recebi de minha querida amiga Isa Salomão.

Zeu,
ontem mesmo estava comentando exatamente isso! No meio de tantas decepções políticas e até pessoais, estive descrente com o "fenômeno Obama". Mas, controversamente, as promessas de campanha estão sendo, até agora, cumpridas por Obama... Começou com um primeiro dia de governo histórico - congelados os julgamentos e processos de Guantanamo e deu-se início ao seu fechamento (tem o prazo de um ano para sumir!), depois as ações relacionadas aos direitos das mulheres... Pasmei! Fiquei bege! (Na verdade, bege de vergonha, por ter subestimado a esperança...) Tomara que não pare por aí, mesmo porque tais ações não são tão bem quistas pelos outros donos do poder yanke... Vamos ver até onde ele aguenta. Tomara que seja tão forte e lutador quanto o seu sangue Keniano!!!
Hoje te digo: Salve Obama!
Me liga para conversarmos! Como estou sem trampo desde setembro, fico sem ter como ligar pro interior...
Bjos e saudades!!!